
Em meio às perseguições enfrentadas pela comunidade Pataxó no sul da Bahia, o Grupo Marujos Pataxó lançou o projeto “Memórias Ancestrais do Povo Pataxó” para registrar, preservar e valorizar o patrimônio cultural imaterial desta população.
O projeto, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, promoveu 40 oficinas culturais intergeracionais em 35 aldeias, conduzidas pela mestra anciã Maria Coruja, de 86 anos. Ela ensinou cantigas de roda ancestrais às crianças do grupo Marujinhos Pataxó, reativando memórias que atravessam gerações.
O resultado foi a publicação do livro interativo “Memórias Ancestrais – Mapeamento Artístico, Cultural e Territorial do Povo Pataxó”, que reúne história, território, espiritualidade, samba indígena, cantigas de roda, grafismos, medicina tradicional e modos de vida. O livro também traz acesso a documentários e álbuns musicais.
Além disso, o projeto gerou uma série de documentários e vídeos temáticos, incluindo “Cantigas de Roda Ancestrais da Aldeia Mãe – Maria Coruja e os Marujinhos Pataxó” e “Tecendo Ancestralidade nas Linhas do Tucum”. O projeto também lançou o álbum “Cantigas Ancestrais”, primeiro disco dos Marujinhos Pataxó, com participação especial de anciãs da Aldeia Mãe Barra Velha.
O projeto Memórias Ancestrais, liderado pelo grupo Marujos Pataxó, resgatou canções centenárias esquecidas do povo Pataxó e as devolveu à comunidade em formato fonográfico. A iniciativa contou com produção musical de artistas como Lênis Rino e DJ Abigail, além de arranjos de violão de Igor Citrângulo.
O projeto teve um impacto significativo, ganhando o 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (2025), concedido pelo IPHAN, por sua contribuição para a manutenção e revitalização do samba indígena e das cantigas ancestrais Pataxó.
O disco “Hoje é o Dia do Índio” é um testemunho sonoro da força do povo Pataxó, que transforma dor em arte e invisibilidade em voz. O samba indígena é celebrado como ritual, memória e modo de vida na Aldeia Mãe, onde o ritmo é espiritualidade e expressão coletiva da ancestralidade.
O projeto é parte de um esforço maior de resgate cultural iniciado pelo projeto Marujos Pataxó, que já lançou dois álbuns com músicas inéditas e um forte apelo pela demarcação das terras indígenas no Brasil.





